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#CLIMASAUDAVEL

Uma chamada urgente para a ação climática da comunidade de saúde à frente de COP26

As negociações climáticas das Nações Unidas em novembro (COP26) são um momento crítico e oportunidade de colocar o mundo em um caminho que protege as pessoas de mudança climática catastrófica. A comunidade de saúde em todo o mundo está se unindo para enviar uma mensagem para líderes nacionais e delegações de país, pedindo uma ação real para abordar a crise climática.

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COP26: CARTA À COMUNIDADE MUNDIAL DA SAÚDE 

 

Excelentíssimos Senhores Chefes de Estado e Delegações Nacionais,

A crise climática é a maior ameaça à saúde que a humanidade enfrenta. Enquanto profissionais de saúde e agentes de saúde, reconhecemos a nossa obrigação ética de falar abertamente sobre esta crise em rápido crescimento, que poderá ser bastante mais catastrófica e duradoura do que a pandemia da COVID-19. Exortamos os governos a assumirem as suas responsabilidades, protegendo os seus cidadãos, vizinhos e gerações futuras contra a crise climática.

Onde quer que prestemos cuidados, nos nossos hospitais, clínicas e comunidades de todo mundo, estaremos já a dar uma resposta aos danos para a saúde que as alterações climáticas provocam.

Alguns exemplos são:

  • A poluição atmosférica, sobretudo proveniente da queima de combustíveis fósseis, que também estão na origem das alterações climáticas, está a causar mais de sete milhões de mortes prematuras todos os anos, o que corresponde a 13 mortes por minuto. Os incêndios florestais, a queima de resíduos e as práticas agrícolas danosas estão igualmente a poluir o nosso ar e os nossos pulmões;
  • As alterações no tempo e no clima estão a causar o aumento de doenças transmitidas por alimentos, água e vetores;
  • Cada vez mais, frequentes eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, tempestades e cheias, ceifam todos os anos a vida de milhares de pessoas, afetando a vida de muitos milhões mais e causando disrupções nas nossas próprias unidades de saúde. Só este ano, grandes desastres sanitários relacionados com as alterações climáticas ocorreram na China, Índia, Paquistão, Vietname, Canadá, Alemanha, Bélgica e em muitos outros países;
  • Os sistemas alimentares sofrem cada vez mais perturbações devidas a fenómenos climáticos extremos, o que exacerba a insegurança alimentar, a fome e a malnutrição;
  • A subida do nível do mar está a destruir habitações e meios de subsistência, que são cruciais para a saúde das pessoas;
  • O impacto das alterações climáticas está a afetar gravemente a saúde mental das pessoas, causando perturbações como stress pós-traumático e ansiedade e agravando as condições existentes

No Acordo de Paris de 2015, os governos comprometeram-se a tomar as medidas necessárias para manter o aumento da temperatura no mundo bem abaixo de 2°C, visando 1,5°C até 2050. Os mais recentes estudos científicos deixam claro que, para prevenir impactos catastróficos na saúde e evitar milhões de mortes relacionadas com as alterações climáticas, o mundo terá de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

O sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas afirma que o mundo se encontra atualmente numa trajetória de aquecimento superior a 4°C, só neste século. O relatório deixa também claro que os governos terão de agir imediatamente para assumir e implementar compromissos decisivos sobre o clima que tenham uma grande probabilidade de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C. Cada décima de grau acima de 1,5°C afetará seriamente as vidas e a saúde das pessoas.

Embora ninguém esteja a salvo destes riscos, as pessoas cuja saúde está ser prejudicada, em primeiro lugar e da pior maneira, pela crise climática são aquelas que menos contribuem para o problema e que são menos capazes de se protegerem, a si e às suas famílias, contra esses riscos: as pessoas dos países e comunidades de baixo rendimento. As pessoas e os países que mais beneficiaram com as atividades que causaram a crise climática, especialmente através da extração e utilização de combustíveis fósseis, têm a grande responsabilidade de fazerem tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar aqueles que agora se encontram em situações de maior risco.

Integrar a saúde e a equidade na política climática protege a saúde das pessoas, maximiza o retorno dos investimentos e constitui um apoio público às medidas climáticas urgentemente necessárias. Ar e água mais limpos, alimentos mais saudáveis e mais seguros, um sector da saúde mais resiliente e com menor produção de carbono e o planeamento de transportes e comunidades mais verdes são benéficos para toda a gente, aqui e agora. Para além disso, a poupança nos custos com a saúde compensará os custos de tomar estas medidas.

Apelamos aos líderes de todos os países e seus representantes na COP26 para que evitem a iminente catástrofe sanitária limitando o aquecimento global a 1,5°C e para que coloquem a saúde humana e a equidade no centro de todas as medidas de mitigação e adaptação das alterações climáticas.

Especificamente:

  • Apelamos a todos os países para que reiterem os seus compromissos nacionais em matéria de clima nos termos do Acordo de Paris, de modo a cumprirem a sua quota-parte na limitação do aquecimento global a 1,5°C; e apelamos a que introduzam a saúde nesses planos;
  • Apelamos a todos os países para que cumpram um abandono rápido e justo dos combustíveis fósseis, começando por suspender imediatamente todas as autorizações com eles relacionadas, assim como os subsídios e financiamento aos combustíveis fósseis, e para que transfiram todo o financiamento atual para o desenvolvimento de energias limpas;
  • Exortamos os países de elevado rendimento a fazerem maiores cortes nas emissões de gases com efeito de estufa, em linha com o objetivo de limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC;
  • Exortamos os países de elevado rendimento a efetuarem a transferência de fundos prometida aos países de baixo rendimento, para ajudar a aplicar as necessárias medidas de mitigação e adaptação; 
  • Instamos os governos a construírem sistemas de saúde resilientes ao clima, com baixa produção de carbono e sustentáveis; e 
  • Instamos os governos a garantirem igualmente que os investimentos na recuperação da pandemia apoiarão a ação climática e reduzirão as desigualdades sociais e sanitárias.

As ações solicitadas nesta carta, que são necessárias, embora não suficientes para resolver completamente as crises climática e sanitária, são muito importantes para proteger as pessoas  em todo o mundo. Exortamos os nossos líderes a implementá-las e apelamos aos decisores na COP26 para que ajam imediatamente e que o façam de modo decisivo.

Estas medidas relacionadas com o clima devem ser tomadas de imediato, para proteger o planeta e a saúde, o bem-estar e a prosperidade de todas as pessoas das presentes e futuras gerações.

Atenciosamente,
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A carta climática saudável aos líderes nacionais e delegações da Cop26 é apoiada pelo Global Climate and Health Alliance  e à World Health Organization e em serviço da comunidade mundial de medicina e saúde global.